Homossexualidade, na escola?

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Após ter tido a oportunidade de estudar e pesquisar sobre o tema Homossexualidade durante o curso de graduação, pergunto-me agora, depois de formado: como tem sido a abordagem desse tema nas escolas de ensino básico?

Com um olhar analítico, busco no meu dia a dia, enquanto professor, verificar como o tema é abordado pelos alunos e, inclusive, pelos professores. Esta geração de sujeitos pós-modernos para os quais lecionamos, aparentemente, não apresenta muita resistência para falar desse assunto, muito menos em aceitar os colegas que se identificam como sujeitos participantes desse grupo que tem crescido de forma significativa, os homossexuais. Quanto aos colegas professores, o tema ainda é visto como Tabu. Querido leitor, não pense que estou generalizando todos os colegas, NÃO! Entre os discursos que escuto, também existem os de uma geração de professores mais nova, cujo olhar é sensível para as diferenças que se acentuam cada vez mais no território escolar.

Sobre o crescimento dos homossexuais na sociedade atual, eu digo que o crescimento não é da quantidade de meninos e meninas que nascem homossexuais, e sim o crescimento da liberdade, da aceitação em ser homossexual. Esse assumir-se homossexual nunca foi tão visível e significativo na sociedade brasileira, principalmente entre os mais jovens. Esse fato é um fenômeno histórico-social que implica diretamente na escola, lugar este em que passamos grande parte de nossas vidas.

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Além de reconhecermos a homossexualidade como uma temática que deve ser abordada e discutida a fim de levar nossos alunos a uma reflexão sobre a diversidade que constitui a sociedade e, principalmente, sobre o respeito a essa diversidade, haja visto que, numa perspectiva histórica, o homem nem sempre foi capaz de aceitar o diferente, pelo contrário, o que era avesso, o que fugia à regra sempre foi colocado à margem da sociedade, sendo segregado, excluído.

Então, respondendo à pergunta do primeiro parágrafo: não! A homossexualidade nem sempre tem sido abordada nas escolas. Talvez porque o tema ainda é visto como Tabu por alguns ou por trazer desconforto em outros. O que eu penso e convido meus colegas professores a pensar é: Seria possível trazer para a escola temáticas como a homossexualidade sem enfrentar ou ferir os valores de determinados grupos que se apresentam resistentes em relação a temas desse tipo? Sim, isso é possível desde que haja uma mudança de postura, principalmente dos professores!

Professores, se queremos desenvolver em nossos alunos o respeito pelo que é diferente a ponto de criticarem qualquer forma de discriminação e se posicionarem de maneira consciente e ativa na sociedade, precisamos ser os primeiros a assumir a função de educadores que ensinam, não somente os conteúdos necessários de cada matéria, mas que buscam formar em seus alunos o pensamento crítico.

A pergunta que fica é a seguinte: Como abordarei a homossexualidade em sala de aula?

Professores, confesso que não existe fórmula mágica para isso! No entanto, você deve buscar o famoso “jeitão” – como dizia minha professora da universidade – para abordar assuntos que aparentemente apresentam-se de forma complexa. Não confundam o “jeitão” com falta de compromisso ou “trabalho feito às coxas”, mil vezes NÃO! Pensem em trabalhos que possam envolver professores de outras matérias, numa espécie de abordagem interdisciplinar sobre o tema homossexualidade. Imaginem se os professores de Línguas e de História trabalhassem juntos e propusessem aos alunos um trabalho em que os mesmos pesquisariam a homossexualidade pela perspectiva histórica, tendo como corpus de pesquisa a literatura. Essa é uma dica! 

De fato, o mais importante e que precisa de muita atenção dos educadores do nosso país é se queremos continuar segregando os grupos que se apresentam em minoria, grupos estes que já se encontram na escola e se formam “debaixo dos nossos narizes” ou se queremos assumi-los como sujeitos que por suas diferenças contribuem para a formação de uma sociedade culturalmente mais rica, sem preconceitos e que, sobretudo, respeita a vida e o amor em suas diferentes formas!

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Luiz Ricardo da Silva Zuim

Graduado em Letras pela Universidade de Taubaté e professor de Língua Inglesa na rede particular