Primeiros passos: Inclusão da Tecnologia na Sala de Aula

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Atualmente, poucas são as escolas que não utilizam tecnologia no ambiente educacional, por meio de equipamentos como notebooks, tablets e até mesmo os celulares dos alunos estão sendo utilizados como ferramentas no processo de ensino. É raro encontrar escolas sem nenhum laboratório de informática.
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No entanto, surgem as questões: a presença desses recursos confere à escola o título de tecnológica? Ou melhor dizendo, essa escola está utilizando bem a tecnologia? – A resposta a essas perguntas é simples – “NÃO”, pois a maioria das escolas não aproveitam plenamente os recursos tecnológicos a favor da educação. Você, gestor, já se perguntou: - Será que meus professores estão preparados para o uso da tecnologia dentro da sala de aula? Será que os recursos que disponibilizo são utilizados pelos meus professores e sobretudo, meus coordenadores que, além de cobrar, estão disseminando a cultura do uso e mostrando os benefícios?  A tecnologia ofertada pela escola tem se tornado um fator de expansão do conhecimento, ou apenas um entretenimento vago, limitado a jogos sem propósito definido, redes sociais para passar o tempo?
Inúmeros gestores escolares, coordenadores e professores ficam incomodados com essas questões, porém muitos não tem as respostas, pois acreditaram na ideia que tanto foi ventilada pela mídia de que a tecnologia revolucionária iria invadir o ambiente escolar e seria a solução de todos os problemas. Porém, essa visão foi um engodo, um ledo engano, pois a tecnologia nada mais é que um meio, uma ferramenta à disposição do gestor, professor e coordenador. Tal ferramenta, quando mal usada pode ser tão prejudicial quanto permanecer sem tais recursos, pois transforma os alunos em jovens alienados, passivos e altamente dependentes de informações prontas, gerando uma insegurança muito grande no jovem que acaba por duvidar, por exemplo, de como escrever uma determinada palavra. Ou muitas vezes acaba escrevendo como leu em um blog, e acaba errando feio. Esse jovem acaba recorrendo ao Google, que neste momento, passa a ser o oráculo dos oráculos, aquele que tudo responde. Mas vale lembrar que nem toda informação filtrada e apresentada por esse mecanismo está correta.
E o que falar das redes sociais que estimulam uma f­renética necessidade de compartilhar tudo o que se está fazendo, sem parar para pensar o quão perigoso pode ser tais informações em mãos erradas. Tudo se compartilha com apenas um clique, neste ponto você está se perguntando – Que mal há nisso? – Nenhum realmente, se não tivéssemos pessoas de todo o tipo acessando essas informações, o que gera preocupação é o que um indivíduo mal intencionado fará com tal informação.
É sabido que a utilização correta dos recursos tecnológicos impacta de modo muito profícuo na realidade dos alunos, propiciando uma transformação das informações adquiridas na web em um conhecimento real e solidificado que fará parte da vida desses alunos que agora começam realmente a ganhar uma bagagem cultural de valor.
O professor, neste novo contexto, deixa de ser o detentor de todo o conhecimento e passa a ter um novo papel no contexto escolar, ele assume o papel de facilitador, intermediador, ele conduz os alunos no uso dos recursos, pois, já há algum tempo, deixou de ser a única fonte de conhecimento e não pode competir com as diversas fontes de informação existentes na internet e facilmente acessadas pelos alunos.
Um “professor renovado” deve, sobretudo, filtrar, selecionar os assuntos a serem discutidos e trabalhados a fim de proporcionar uma melhor assimilação do conhecimento, motivando os alunos à pesquisa e buscando sempre criar situações em que seus alunos possam discutir e refletir sobre os novos conhecimentos adquiridos.
Para que todo esse trabalho seja realizado com tranquilidade, o professor precisa desenvolver uma habilidade - “uma intimidade”, com os recursos tecnológicos, pois de nada vale falar sobre tecnologia e não utilizá-la corretamente no cotidiano escolar. Não adianta simplesmente dizer - “uso tecnologia”, pois deixo meus alunos pesquisar alguns assuntos na internet. Seria muito interessante, por exemplo, criar grupos em uma sala de aula, e distribuir temas relacionados à determinada disciplina, como: Biologia – o grupo A irá desenvolver um blog sobre o aparelho digestivo, o grupo sobre o aparelho respiratório, e assim por diante. Isso fará com que os grupos tenham a tarefa de criar, então, o professor, além de desenvolver o conteúdo, estará desenvolvendo outras habilidades dos alunos, tais como: socialização, cooperação e interdisciplinaridade. Os jovens irão prestar mais atenção às ferramentas existentes na web, com isso poderão tirar proveito de suas habilidades e desenvolver novas habilidades.
Ao utilizar desses recursos, o professor passa a trabalhar melhor com os alunos, pois se sentirão mais motivados no processo de construção do conhecimento. O objetivo comum estabelecido inicialmente no projeto do blog, por exemplo, irá conectá-los e essa sinergia irá produzir excelentes frutos. A grande vantagem deste projeto é que ele transcende os espaços escolares, pois acaba se tornando um objetivo a ser alcançado pelo grupo, de fazer o melhor trabalho, o melhor blog, afinal está na internet, muitas pessoas irão ver. Sem contar que é muito mais prazeroso e estimulante para os alunos e professores fazer uso dos recursos computacionais com foco e objetivo e, principalmente, ver como resultado final do esforço conjunto, um produto.
No entanto, os professores (orientadores) necessitam ter em mente que os alunos atuais são considerados “nativos digitais”, pois utilizam os recursos tecnológicos com grande destreza, restando ao professor apenas uma tarefa: a de orientar essa força para o bem e isso só ocorre quando os professores estão capacitados e realmente preparados para lidar com esses jovens. Esse professor deve ter consciência de que a tecnologia é apenas uma ferramenta e deve dominá-la e, sobretudo, tirar o máximo de proveito no processo de utilização da TI educacional
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Benedito Fulvio Manfredini

Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional e Urbano